Underflow de espessador: quando controlar a vazão vira luta contra o desgaste

Em toda planta de beneficiamento existe um ponto onde a polpa é mais cruel do que em qualquer outro: a retirada do underflow do espessador. Ali a polpa já passou pela separação — o líquido clarificado saiu por cima, no overflow, e o que desce é o concentrado: denso, abrasivo, de alto teor de sólidos e com densidade que muda ao longo do turno. É justamente onde a bomba é mais exigida.

É o exemplo mais claro do que discutimos em Bomba peristáltica: para que serve e quando usar: o fluido define a bomba — e aqui o fluido é o mais abrasivo da planta.

O caso real: um espessador de rejeitos

Para dar dimensão real, os números de um espessador de rejeitos que atendemos:

Espessador de 20 m de diâmetro por 6 m de altura

  • Vazão de alimentação: 100 m³/h, com 25% de sólidos
  • Underflow saindo com 60% de sólidos — 30 m³/h só de sólido
  • Densidade do minério: 3,5 t/m³

Nesse serviço, a bomba centrífuga entrega o que costuma entregar em polpa densa: perde eficiência, desgasta rápido, o controle de vazão fica instável e a manutenção vira imprevisível — a equipe nunca sabe quando vai parar.

Por que a peristáltica se dá bem justamente aqui

A diferença começa na arquitetura. Numa bomba peristáltica, a polpa não toca rotor, eixo, rolamento, carcaça metálica ou qualquer parte interna complexa — passa somente pelo mangote. Some daí toda uma família de problemas de uma vez: não há rotor para a abrasão desgastar, não há selagem nem vedação para a polpa atacar.

E, por ser de deslocamento positivo, ela entrega vazão proporcional à rotação, independentemente da densidade da polpa. Na prática, é isso que muda o jogo no underflow: quando a densidade oscila ao longo do turno, a vazão não foge junto — e você faz o ajuste fino direto no inversor, transformando a vazão em parâmetro, não em variável fora de controle.

Além disso, a bomba é autoescorvante, opera a seco sem dano e trabalha com pressão de até 16 bar.

O resultado que importa para a operação

O ganho não aparece só na folha de especificação; aparece na rotina. O desgaste deixa de ser corrida contra o tempo e vira a troca de um único consumível — o mangote. A parada deixa de ser emergência e vira downtime programado. O custo e o tempo de manutenção caem.

Como resume quem vive esse serviço: controlar underflow deixou de ser luta contra desgaste — a vazão virou parâmetro ajustável e a manutenção virou agenda.

Underflow denso e abrasivo não é exceção na mineração; é o dia a dia. E é aí que a escolha do princípio de bombeamento decide se a sua equipe vai planejar a manutenção ou correr atrás dela.


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